Speculoos creme: biscoito doce holandês que virou creme para passar no pão

Um amigo turco que veio de Amsterdam me visitar no Brasil resolveu trazer de presente um estoque de stroopwafels. Também ganhei cervejas e um pote de speculoos pasta. Mesmo com uma certa experência de vida em Amsterdam, eu nunca tinha prestado atenção neste vidro de gordice tradicional da Holanda e Bélgica.

Resumindo: este é um biscoito (bolacha?) que se transformou em um creme para passar no pão. Ele é feito com farinha de trigo, xarope doce, canela e muitas outras coisas e tem um sabor doce incrível. Nos ingredientes do rótulo não encontrei muitos outros detalhes que me ajudem a explicar o sabor – embora a Wikipedia diga que “trata-se de uma mistura de canela (8 partes), noz moscada (2), cravinho (2), gengibre em pó (1), cardamomo (1) e pimenta branca (1)”. A Wiki também diz que é um produto tradicional natalino, mas ela é consumida e pode ser comprada durante o ano todo.

Não confio 100% na explicação, mas acredito no sabor. Essa é uma daquelas coisas que você pode misturar com qualquer “suporte” como bolachas, sorvete ou até um recheio de bolo (não vi ninguém fazendo, estas são sugestões da minha cabeça). Além do consumo com pão, nenhuma destas ideias foi aprovada ou sugerida por um holandês.

Eu só garanto que é uma especiaria famosa e tradicional deste países e podem ser comprada tanto em pasta (creme) como em biscoitos.

Speculoos Pasta
Comprado em: Amsterdam, Holanda
Preço: 2,24€ (400g)

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Stroopwafel: do que é feito e onde comprar o melhor doce da Holanda

Este post é parte da série de comidas locais que você pode experimentar e levar na mala de volta para casa. Experimente e leve presentinhos econômicos (mas especiais) para o Brasil.

A Holanda tem pouco de culinária local, de acordo com a maioria dos holandeses que me apresentaram o básico da cultura do país quando cheguei aqui. O equivalente do nosso arroz com feijão é purê de batatas com vegetais e carne. Mas tem um doce tradicional que me deixou com uma ótima impressão do país antes mesmo de chegar aqui: os stroopwafels.

stroopwafel-holanda

Quem me apresentou essa belezinha foi um amigo holandês, quando ambos morávamos em Buenos Aires. Minha paixão foi tanta que, após comer 3 deles na sequencia, percebi que era melhor racionar para fazer a alegria durar mais.

O sabor e onde comprar

Stroopwafels são bolachões bem finos, recheados com caramelo. Tem um toque de canela também e um certo estilo para ser consumido: coloque-o em cima de uma xícara de chá quente e deixe por alguns segundos até o caramelo do meio derreter.

Em pacotes com 10 ou 12, existem muitas marcas e qualidades diferentes. A melhor opção entre preço e qualidade é o do Albert Heijn, a maior rede de supermercados do país, onde custa cerca de 1€ o pacote. Quando voltei para o Brasil pela primeira vez após me mudar para cá, levei 10 pacotes na mala! A embalagem é bacana, mais barato que souvenir, o sabor é ótimo e muito parte da cultura Dutch.

E no Brasil?

Atualmente é possível encontrar stroopwafels também em diversos lugares no Brasil. Já encontrei na rede de supermercados Pão de Açúcar e também em algumas padarias chiques por São Paulo e no interior do estado. Ainda tem Holambra, estância turística com forte relação com a Holanda, onde também existem empresas que vendem e distribuem o produto.

Stroopwafels
Comprado em: Amsterdam
Preço: a partir de 1,00€

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Temperatura em Amsterdã: guia básico

Chegando em Amsterdã? Traga seu guarda chuva, porque a chance de chover é quase sempre grande. Ela vem em cerca de 185 dias por ano, mesmo seja só um pouquinho de água do céu, durante a madrugada. Por isso, planejar minuciosamente sobre a chuva e a temperatura em Amsterdã é uma ótima ideia para aproveitar sua visita.

Estações do ano

Na Europa a estações são sempre contrárias as do Brasil por conta da localização dos países no globo. As datas de mudanças são as mesmas pelo mundo inteiro:

  • Se na Holanda é primavera, no Brasil é outono
  • Se na Holanda é inverno, no Brasil é verão
  • Se na Holanda é outono, no Brasil é primavera
  • Se na Holanda é verão, no Brasil é inverno
  • Inverno começa em: 22 de dezembro
  • Primavera começa em: 20 de março
  • Verão começa em: 21 de junho
  • Outono começa em: 22 de setembro

No Brasil você já deve ter morrido de calor depois que outono ou até o inverno começou, por exemplo. Aqui a situação é similar: em 2016 demorou para a primavera de fato chegar. O calor começou no final de abril e durante o mês de maio a minima é de 6º em alguns dias. Tempo louco!

Dias e noites longas

Além da temperatura que muda constantemente, existe outra vantagem (e desvantagem) dos países europeus mais próximos dos extremidades do planeta. Por conta da posição do sol, cada época do ano tem dias ou noites mais longos. Em alguns lugares do Brasil nós só sentimos essa diferença por conta do horário de verão, mas aqui é mais impactante.

No verão, tem sol até às 10 da noite. Há muito perdi a conta de quantas vezes descobri que era tarde demais para ir ao supermercado (que geralmente fecham às 22h) após dar um pulinho no bar ou um piquenique no parque. Como pode estar tudo fechado se ainda é dia? Enfim aprendi, mas de vez em quando ainda escapa.

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Acredite se quiser: essa foto foi tirada às 21h, durante a primavera

No inverno é preciso força para não se deixar deprimir pelo tempo. Em dezembro, a luz do sol aparece depois das 8h e vai embora já por volta das 16h. A primeira sensação é todo mundo decidiu sair de casa de madrugada. No fim do dia, sinto que esqueci da hora e já é hora de dormir.

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Na sacada de casa, em dezembro em 2015, a água virou gelo

A alegria por um pouquinho de sol é tão grande ao ponto de as pessoas tirarem dias de folga quando a previsão aponta que fará calor em determinado dia na semana que virá. E tem gente curtindo parque igual brasileiro na praia. Sem camisa e de biquíni. Também tem bares com praia de mentira, mas essa história é para outro post.

Nos dias de virada de estação acontecem também os solstícios. Em teoria, dia 21 de junho é o dia mais com mais luz do sol no ano e 21 de dezembro é o que tem mais noite, embora a cada ano esse evento pode acontecer em outros dias próximos a estes.

Neve

Se a sua viagem obrigatoriamente incluí ver neve, comece a acompanhar a previsão do tempo. Em Amsterdã, em alguns anos neva, em outros não. Em 2015, lagos nos parques tiveram uma fina camada de gelo, mas fácil de ser quebrada (mais ou menos como na foto acima).

Em 2016 houve um pouco de neve janeiro e fevereiro. E por alguns minutos, em 3 diferentes dias, em plena primavera:

É primavera, mas esta caindo gelo do céu em Amsterdã. Que cidade mais louca.

A video posted by Gustavo Pelogia (@gustavopelogia) on

Já no ano de 2012, os canais congelaram tanto que dava até para esquiar neles:

Apps

Incontáveis são os dias em que pedalei na chuva em Amsterdã. Até que certa vez, quando chegava ao festival Lowlands, um amigo disse que deveríamos correr e montar as barracas em 20 minutos, antes da chuva começar. Fiquei intrigado com a precisão dele e então descobri um app chamado Buienradar.

Além de ter te dar a previsão do tempo para os próximos dias, nele é possível checar a previsão de chuva para as próximas 3 horas. Com isso, é possível optar por transporte público ou esperar alguns minutos até a chuva diminuir, sabendo que ela deve desaparecer em determinado tempo. Para quem deseja ser ainda mais específico, da ainda para saber a força e a direção do vento (que pode transformar o ato de pedalar uma grande batalha).

Outra opção mais popular é o próprio Google Now, porém o Buienradar é mais preciso quando você precisa saber sobre uma mudança no clima para a próxima hora. O app só funciona na Holanda e é atualizado em tempo real. Às vezes, uma chuva esperada pode de repente desaparecer do mapa. É de graça e está disponível para Android, iOS, Windows Phone e BlackBerry.

Em todos os casos: tenha sempre uma capa ou seu guarda-chuva!


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5 curiosidades para entender a Holanda

Apesar de ser um país pequenino, a Holanda consegue embaralhar muita cabeça quando se fala de nome, idioma e território. As cinco curiosidades abaixo explicam muitas das perguntas mais comuns sobre a Holanda:

Nome do país
A gente chama da Holanda, mas o nome de verdade é “Países Baixos”. Acontece que os dois principais estados do país são a Holanda do Norte (onde fica Amsterdã) e a Holanda do Sul (onde fica Roterdã). Ainda assim, a área total dos dois estados é de menos de 5% do país. Nestes dois estados estão 6 dos 16 milhões de moradores do país.

Acontece o mesmo em espanhol, com os nomes Holanda e Paises Bajos. Também em inglês, com Holland e Netherlands. No fim das contas, a confusão é tão grande que ambos os nomes são aceitos e usados por estrangeiros e holandeses. Os próprios neerlandeses torcem para a seleção de futebol gritando “Hup Holland Hup” ao invés de Nederland.

Rainha da Holanda
Quando vim a Amsterdã pela primeira vez, ainda morava na Argentina. E justo nessa época a Holanda (ou Países Baixos) era assunto constante na mídia em Buenos Aires. O motivo: uma argentina estava para ser coroada rainha. Da Holanda. Koningin Máxima se casou com o príncipe holandês Willem-Alexander Claus George Ferdinand em abril de 2013.

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Rei Willem-Alexander e rainha Máxima em abril de 2013. Foto: Koos Breukel

Reino da Holanda
A Holanda fica Europa. E a Holanda também é parte do Reino dos Países Baixos (Koningin Máxima), que incluí as ilhas de Aruba, Curaçao e São Martinho, localizadas no Caribe (America Central). As três são oficialmente países independentes, porém parte do mesmo reino e totalizam uma população pouco acima de 300 mil habitantes. Para deixar um pouco mais confuso, estas três ilhas também tem suas moedas próprias: o Florim Arubano e Florim das Antilhas Neerlandesas, ainda que o dólar também seja amplamente aceito.

Na América do Sul também se fala holandês
Este foi uma grande surpresa pra mim e só descobri depois de ficar amigo de um Amsterdammer. O Suriname, faz fronteira com o Brasil (nos estados do Pará e Amapá) e com a Guiana e Guiana Francesa, ao norte da America do Sul. Lá também se fala holandês como idioma oficial e como a Holanda, é um país pequenino, o menor da região.

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Pouco antes de que o Suriname se tornasse independente, em 1975 (sim, há 41 anos!), grande parte da população emigrou para a Holanda. Com isso, há uma grande presença surinamesa na cidade. Eu descobri essa presença por conta dos muitos restaurantes surinameses pela cidade e também por dos meus melhores amigos aqui ter mãe surinamesa e pai holandês. Assim, se você quiser descobrir algo incomum para os turistas em Amsterdã, sugiro ir a um restaurante surinamês!

Idioma
Se você já teve contato com muitos estrangeiros, é provável que tenha escutado que nossa língua é o “brasileiro”, ou mesmo que falamos espanhol. E nos Países Baixos se fala… Bem, também é complicado. Em Português, você pode dizer que a lingua da Holanda é o holandês. Ou neerlandês. Já em Inglês, se diz Dutch, o que já vi ser confundido com Duits, a linga da Alemanha (em alemão).

E se você ainda não se perdeu, tem mais: na província de Frísia, no norte do país, ainda se fala Frísio, por cerca 2,50% da população. Ainda tem mais da metade da Bélgica, que fala uma variação de holandês, chamada de Flamengo (Vlaams). Tem outro nome, mas é quase igual, com sotaque diferente.

Água que virou terra
O nome Países Baixos vai de encontro com o fato de que grande parte do país era água. Sofrendo muito com enchentes que causaram desastres e mortes ao longo da história, o país tem diques e controla a água que o cerca. Essa era a função dos moinhos de vento: levar água de um lugar para outro.

Hoje em dia, uma porção de 7000 m², cerca de 16% do país foi criado após remoção das água que ocupava as áreas. A estação central de Amsterdã também foi feita onde antes era água. Por volta de 60% da população vive abaixo do nível do mar!

 

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